domingo, dezembro 14, 2008

Quando o Amor Vacila

Eu sei que atrás deste universo de aparências,
das diferenças todas, a esperança é preservada.
Nas xícaras sujas de ontem
o café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que
não suporto ouvir,
e dela não me conformo.
Eu acredito em tudo,
mas eu quero você agora.
Eu te amo pelas tuas faltas,
pelo teu corpo marcado,
pelas tuas cicatrizes, pelas tuas loucuras todas, minha vida.
Eu amo as tuas mãos,
mesmo que por causa delas
eu não saiba o que fazer das minhas.
Amo teu jogo triste.
As tuas roupas sujas
é aqui em casa que eu lavo.
Eu amo a tua alegria.
Mesmo fora de si,
eu te amo pela tua essência.
Até pelo que você poderia ter sido,
se a maré das circunstâncias
não tivesse te banhado
nas águas do equívoco.
Eu te amo nas horas infernais
e na vida sem tempo, quando,
sozinha, bordo mais uma toalha de fim de semana.
Eu te amo pelas crianças
e futuras rugas.
Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas
e pelos teus sonhos inúteis.
Amo teu sistema de vida e morte.
Eu te amo pelo que se repete
e que nunca é igual.
Eu te amo pelas tuas entradas,
saídas e bandeiras.
Eu te amo desde os teus pés
até o que te escapa.
Eu te amo de alma para alma.
E mais que as palavras,
ainda que seja através delas
que eu me defenda, quando digo que te amo
mais que o silêncio dos momentos difíceis,
quando o próprio amor vacila.
(Autor desconhecido)
* Poema recitado por Maria Bethania em Maricotinha

quinta-feira, dezembro 04, 2008

A Carta

Relendo minhas agendas, encontrei uma carta.
Esta era simples, com bastante erros.
Tive que decifrar algumas das palavras!
Hum ..
Me lembrei do dia que a fiz.
Chorava tanto!
Tanto!
As lágrimas não se continham.
Esta carta era um desabafo e uma declaração de amor.
Nela eu revelava todos os meus sentimentos, pensamentos, tristeza, alegria, erros.
Tudo!
Tinha tudo nesta carta!
Principalmente uma esperança.
Isso tudo porque tinha cometido mais um dos meus erros.
Naquela ocasião eu tinha certeza de que seria o fim.
E foi.
Eu sentia tanta dor, tanta dor . . . que não cabia no meu peito!
Lembro que fui dormir cansada de tanto chorar.
Não era tão tarde assim.
Na verdade, estava anoitecendo ainda.
Acordei a uma da madruga, com minha irmã eufórica ao lado da minha cama, dizendo:
- Lena, tu não ouvistes a mensagem que chegou no seu celular? É dele! Olha! Lena!
Levantei com mais de mil para ler a mensagem. Novamente voltei a chorar:
- Poxa, me convida para tomar um choop e fica com outro? Poxa. Ele é meu amigo! Espero que seja feliz. Se sentir saudade, estarei aqui para para termos nossos filhos.
Tive a certeza que nós não dariamos mais certo!
Mesmo assim, fui atrás dele.
Entreguei a carta pois, não tinha coragem de falar nada!
Apenas entreguei.
Ele, nada disse.
De fato, não estava errada.
Passamos mais um ano "juntos".
E, por ironia do destino, exatamente há um ano depois do ocorrido, ele arranja uma garota.
Fiquei tão desesperada!
Muitos meses sem sair de casa!
Mas, venci.
Agora, um ano depois deste namoro e, dois anos após a carta, me encontro da mesma forma.
"Desesperada" mas, não morta, como antes!
A saudade aperta tanto, tanto, que tive que fazer uma outra carta.
Mas esta, ficará guardada, diferente da outra.
No entanto, a esperança, essa sim, continua a mesma.
Um dia a entregarei e, desta vez não será a confirmação do fim.
Será o começo de mais um dos nossos começos.
Lena